
"Não importa o que fizeram com você, o que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você."
A profunda e instigante frase de Jean-Paul Sartre, “Não importa o que fizeram com você, o que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”, é um pilar central do existencialismo e um convite à responsabilidade individual. Sartre, um dos mais influentes filósofos do século XX, argumentava que, embora as circunstâncias externas e as ações alheias possam nos impactar profundamente, a nossa liberdade reside na forma como escolhemos reagir a essas experiências. Não somos meros produtos do nosso passado ou das influências externas; somos, em última instância, definidos pelas nossas escolhas e pela nossa capacidade de atribuir significado ao que nos acontece.
Essa citação ressoa com a ideia de que a vitimização é uma escolha. Mesmo diante das maiores adversidades, injustiças ou traumas, o poder de decidir como processar e transformar essas experiências permanece em nossas mãos. É um chamado à ação, à autonomia e à autoria da própria vida. Não se trata de negar a dor ou a dificuldade do que foi vivido, mas de reconhecer que, após o impacto inicial, temos a prerrogativa de moldar o nosso futuro a partir do presente. A liberdade sartriana é, portanto, um fardo e uma bênção: a responsabilidade total por quem nos tornamos, independentemente das cartas que a vida nos deu. É na resposta, na atitude e na ressignificação que reside a verdadeira força e a capacidade de transcender as limitações impostas pelo destino ou por terceiros.
