Elogio: Um Perfume para a Alma, Não um Alimento Essencial.

A frase “Elogio é bom só para cheirar, nunca comer”, popularizada por Pablo Marçal, carrega uma sabedoria profunda e prática para a vida pessoal e profissional. Em sua essência, ela nos alerta sobre a natureza efêmera e, por vezes, perigosa do elogio. Como um perfume, o elogio pode ser agradável, inebriante e até mesmo inspirador, mas jamais deve ser a base de nossa subsistência ou a bússola que guia nossas decisões.
Marçal frequentemente compara o elogio a um anzol, uma isca que, embora atraente, pode nos prender e nos levar a armadilhas. Essa metáfora é poderosa: assim como um peixe que morde a isca sem discernimento, podemos nos tornar vulneráveis quando nos apegamos excessivamente à validação externa. O elogio, quando consumido como alimento, pode gerar uma dependência perigosa, nos tornando reféns da opinião alheia e nos desviando de nossos próprios valores e objetivos.
É crucial entender que o elogio, por mais sincero que seja, reflete a percepção de outra pessoa sobre nós ou sobre nosso trabalho. Essa percepção pode ser influenciada por diversos fatores, e nem sempre corresponde à realidade completa. Se nos alimentamos apenas de elogios, corremos o risco de construir uma autoimagem distorcida, baseada em aprovações externas, e não em nossa verdadeira essência e conquistas.
Além disso, o elogio pode ser uma ferramenta de manipulação. Pessoas mal-intencionadas podem utilizá-lo para nos seduzir, nos desviar de nossos propósitos ou nos levar a tomar decisões que não nos beneficiam. A história está repleta de exemplos de indivíduos que, cegos pelo brilho dos elogios, caíram em armadilhas e sofreram consequências devastadoras.
No ambiente profissional, a máxima de Marçal é igualmente relevante. O reconhecimento é importante e motiva, mas a busca incessante por elogios pode nos tornar complacentes, nos impedir de buscar a melhoria contínua e nos afastar da inovação. Um profissional que se alimenta apenas de aplausos pode se tornar resistente a críticas construtivas e incapaz de identificar suas próprias falhas, estagnando em sua carreira.
Por outro lado, saber “cheirar” o elogio significa apreciá-lo sem se deixar consumir por ele. É reconhecer o valor do feedback positivo, utilizá-lo como um impulso para continuar, mas sem permitir que ele se torne uma necessidade vital. É manter os pés no chão, ciente de que o verdadeiro valor reside na integridade, no esforço e nos resultados concretos, e não apenas nas palavras de admiração.
Em suma, a frase de Pablo Marçal nos convida a uma reflexão profunda sobre a importância da autossuficiência emocional e da resiliência. O elogio é um tempero, um adorno, um perfume que pode tornar a jornada mais agradável, mas nunca o prato principal. A verdadeira nutrição vem do autoconhecimento, da persistência, da capacidade de aprender com os erros e da busca incessante por nossos próprios propósitos, independentemente da aprovação externa. Ao “cheirar” o elogio e não “comê-lo”, cultivamos a liberdade de ser quem realmente somos e de trilhar nosso próprio caminho com autenticidade e sabedoria.

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